14/02/2020 11:27
Para evitar uma ‘infodemia’, diversas iniciativas tentam conter a propagação de conteúdos falsos sobre o novo vírus.
O novo coronavírus virou notícia em jornais do mundo inteiro depois de a China anunciar o crescimento desenfreado do número de infectados. Com muitas perguntas ainda sem respostas, a doença misteriosa tem sido alvo constante de desinformação. Para evitar uma ‘infodemia’, diversas iniciativas tentam conter a propagação de conteúdos falsos sobre o novo vírus e evitar um pânico generalizado na população.
Com o coronavírus, uso de luvas e máscaras se tornou comum no metrô de Xangai Foto: Aly Song/Reuters
Além de debater temas como fake news e exercitar práticas de fact-checking, o novo coronavírus pode ser usado para falar sobre produção de conteúdo e uso de diferentes formatos de narrativas jornalísticas.
No vídeo abaixo, o repórter André Borges conta sobre os bastidores matéria que acompanhou a chegada dos brasileiros repatriados à base aérea de Anápolis:
Propostas de atividades
1) Fake News
Ao declarar emergência pelo novo coronavírus, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) colocou o combate à disseminação de rumores e desinformação entre as principais recomendações aos países. Isso porque, após se tornar uma preocupação global, a doença misteriosa tem sido alvo constante de informações falsas, que vão de teorias da conspiração a receitas sem embasamento científico para prevenir o contágio.
Além dos esforços da mídia com o fact-checking (checagem de informações), outras entidades têm trabalhado para combater os boatos – a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por exemplo, criou um aplicativo de denúncias, dúvidas e informações sobre o vírus.
Divida a sala em grupos de quatro estudantes. Abaixo, estão informações falsas já checadas pelo Ministério da Saúde e por veículos da imprensa. Distribua uma frase para cada grupo e peça para os alunos investigarem se a informação está correta.

Após a verificação, reúna toda a sala e peça para cada grupo explicar como foi feita a checagem da informação. A ideia é que eles montem, conjuntamente, um manual de verificação, com um passo a passo consolidado. Para que o manual fique completo, mostre aos alunos exemplos reais, como o Projeto Comprova, o Estadão Verifica e a agência de checagem Aos Fatos.
Uma proposta possível é montar com a sala um canal dedicado a verificar informações que circulam na internet sobre o novo coronavírus – ou mesmo sobre a área da saúde como um todo. Os alunos podem, em grupos, planejar pontos como: meio e linguagem que serão utilizados (se será um site, uma conta no whatsapp, no twitter ou no facebook, por exemplo; se o canal utilizará uma linguagem formal ou informal, em primeira ou terceira pessoa), qual será a estratégia de marketing (como o projeto será conhecido pelas pessoas, qual o público-alvo pretende alcançar) e como será feita a seleção de conteúdos duvidosos. Para a execução do projeto, os alunos podem se revezar por semanas nas aulas de biologia.
Se optar por um canal que verifica conteúdos da área de ciência, é interessante que o professor apresenta aos alunos sites de divulgação científica e outras fontes confiáveis de informação, como o Datasus, do Ministério da Saúde. Outra possibilidade é os alunos procurarem entrevistas com médicos e infectologistas que falam sobre o tema. Neste caso, é importante que os alunos verifiquem o currículo do profissional em plataformas como o Lattes, observando sua formação, atuação profissional e produções para revistas científicas.
2) Podcast e canal no Youtube
A redação da segunda fase da prova da Unicamp inovou ao pedir para os candidatos elaborarem um roteiro de podcast. Neste exercício, a ideia não é passar um modelo pronto de roteiro (ao menos não no primeiro momento), mas ajudar a classe a entender os pontos básicos a partir da comparação entre o podcast “Estamos próximos de uma pandemia”, do Estadão Notícias, e a matéria indicada no início do blog. É interessante que o professor peça para os alunos observarem pontos como: linguagem (culta ou mais informal), estrutura das frases (curtas ou longas), profundidade do assunto, fontes utilizadas.
Uma proposta prática é pedir para a classe produzir um podcast após a discussão sobre formatos. O tema deverá ser o novo coronavírus, com o objetivo de combater a desinformação dentro da sala de aula. O podcast deve ter um tempo mínimo de 5 minutos e máximo de 15 minuto e abordar as questões a seguir:
A criação deve seguir um roteiro mínimo de apresentação. As funções, listadas e descritas a seguir, podem ser divididas em toda a sala:
Pode ser dado um prazo de 15 a 20 dias para a entrega no material que poderá ser usado como forma de avaliação, se o professor assim preferir. Os podcasts poderão ser publicados futuramente em alguma plataforma ou até mesmo no site da escola, desde que se tenha o consentimento dos autores.
Outra possibilidade, além do podcast, é pedir para os alunos criarem um canal no youtube para tratar de temas científicos. Um exemplo para mostrar aos estudantes é o canal Manual do Mundo. No caso do vídeo, podem ser feitos dois roteiros: um para o apresentador seguir enquanto grava e o outro para quem vai editar. O segundo deve indicar os tempos exatos de todos os trechos que entrarão na versão final do vídeo, enquanto o primeiro pode tanto conter as falas exatas a serem ditas quanto apenas os tópicos (em caso de um vídeo mais improvisado, por exemplo).
As trilhas sonoras seguem a mesma indicação do podcast: devem ser de uso gratuito. Um grupo possível no caso do vídeo é o de quem fará o cenário.
3) Formatos
Na cobertura jornalística do novo coronavírus, o Estadão utilizou diversos formatos para explorar o conteúdo. Além de textos, contam as notícias da doença fotos, vídeos, podcasts e infográficos. A escolha de qual formato utilizar depende da informação e do que se quer ressaltar sobre ela. Por exemplo, para mostrar o alojamento que os brasileiros vindos Wuhan, epicentro da doença, ficaram ao chegar no Brasil, um vídeo é mais esclarecedor e interessante para o leitor do que apenas uma descrição. Para mostrar os países que já registraram casos, um mapa é mais prático e permite que o leitor assimile mais rapidamente a dimensão de quanto o vírus está espalhado pelo mundo.

Infográfico: Estadão
Já uma discussão mais longa e complexa sobre o coronavírus poder ou não evoluir para uma pandemia, tem como uma boa opção de formato Podcast, por questões que incluem o tempo para desenvolver o assunto.
5) Caça-clique
“Bariátrica em cápsula seca a gordura, tira o inchaço e vira febre em São Paulo.”
“Dores nas articulações? Faça isso 2x ao dia e acabe com elas.”
“Juntas doloridas e ossos gastos? Faça isso todo dia de manhã.”
A partir dos títulos de matérias indicados acima, discuta com os alunos:
Após essas discussões, divida os alunos em grupos de até cinco pessoas e peça para que eles naveguem em sites de notícias e identifiquem matérias que utilizem a estratégia Clickbait (ou caça-clique, em português).
É interessante que eles percebam que esse tipo de conteúdo, geralmente sinalizado como “conteúdo patrocinado”, quase nunca é produzido pelo site em que está exposto – o espaço que ele ocupa é vendido como forma de ganhar dinheiro, assim como as assinaturas.
Como essas matérias geram receita por clique, elas criam títulos pensando em fazer o leitor clicar na matéria, independente da qualidade ou veracidade da informação. Por isso é preciso ter cuidado ao acessar esse tipo de conteúdo.
Navegando em diversos sites, os estudantes vão perceber que às vezes os conteúdos se misturam com as outras matérias do veículo e é difícil diferenciar um do outro. A dica é ficar atento ao selo “patrocinado” e à linguagem utilizada no título (desconfie de promessas, soluções fáceis e milagrosas). Se foi clicar na matéria, fique atento à URL, se você será direcionado para outro site.
Disciplinas envolvidas: Português, Biologia.
Referência na BNCC:
(EM13LP39) Usar procedimentos de checagem de fatos noticiados e fotos publicadas (verificar/avaliar veículo, fonte, data e local da publicação, autoria, URL, formatação; comparar diferentes fontes; consultar ferramentas e sites checadores etc.), de forma a combater a proliferação de notícias falsas (fake news).
(EM13LP38) Analisar os diferentes graus de parcialidade/imparcialidade (no limite, a não neutralidade) em textos noticiosos, comparando relatos de diferentes fontes e analisando o recorte feito de fatos/dados e os efeitos de sentido provocados pelas escolhas realizadas pelo autor do texto, de forma a manter uma atitude crítica diante dos textos jornalísticos e tornar-se consciente das escolhas feitas como produtor.
(EM13LP42) Acompanhar, analisar e discutir a cobertura da mídia diante de acontecimentos e questões de relevância social, local e global, comparando diferentes enfoques e perspectivas, por meio do uso de ferramentas de curadoria (como agregadores de conteúdo) e da consulta a serviços e fontes de checagem e curadoria de informação, de forma a aprofundar o entendimento sobre um determinado fato ou questão, identificar o enfoque preponderante da mídia e manter-se implicado, de forma crítica, com os fatos e as questões que afetam a coletividade.
(EM13CNT301) Construir questões, elaborar hipóteses, previsões e estimativas, empregar instrumentos de medição e representar e interpretar modelos explicativos, dados e/ou resultados experimentais para construir, avaliar e justificar conclusões no enfrentamento de situações-problema sob uma perspectiva científica.
(EM13CNT302) Comunicar, para públicos variados, em diversos contextos, resultados de análises, pesquisas e/ou experimentos, elaborando e/ou interpretando textos, gráficos, tabelas, símbolos, códigos, sistemas de classificação e equações, por meio de diferentes linguagens, mídias, tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC), de modo a participar e/ou promover debates em torno de temas científicos e/ou tecnológicos de relevância sociocultural e ambiental.
O Estadão na Escola é parte de uma parceria com o Instituto Palavra Aberta, entidade sem fins lucrativos que lidera o EducaMídia, programa de educação midiática dedicado a formar professores e produzir conteúdos sobre o tema. A parceria é coordenada por Daniela Machado e Mariana Mandelli.
Fonte: Estadão
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