14/01/2022 10:30
Precisamos colocar educação de qualidade para todos no topo da agenda
O ano de 2022 se inicia com grandes desafios para a educação brasileira. Foram quase dois anos letivos inteiros com aprendizagem remota, num contexto de reduzida conectividade, falta de equipamentos e até de livros, especialmente nas casas de alunos em situação de vulnerabilidade. Com isso ocorreram, na educação básica, perdas significativas de aprendizagem e uma grave piora nas desigualdades educacionais previamente existentes.
As escolas particulares ficaram menos tempo sem aulas ou em sistema de rodízio de alunos. Seus alunos contaram, de acordo com dados do IBGE, com conectividade e equipamentos adequados para aprender à distância. Afinal, 98,9% deles tinham acesso à internet e 91% a computadores em 2019. Já o cenário nas escolas públicas, onde estudam cerca de 81,4% dos alunos de educação básica, foi bem diferente.
Apesar da vacinação dos professores, com duas doses, o que poderia permitir uma reabertura oportuna e segura das escolas, muitos prefeitos, na falta de uma coordenação nacional, não fizeram os investimentos necessários na infraestrutura dos prédios ou na contratação de professores, o que retardou ainda mais a volta ao presencial.
Certamente, acertaram os gestores de redes públicas que ofereceram chips e equipamentos para seus alunos ou enviaram cadernos de atividades para as residências, puderam se preparar para reabrir as escolas e criaram cursos de férias para começar a recuperar as aprendizagens perdidas. Também adotaram uma abordagem correta os que avançaram na agenda de introdução de escolas em tempo integral, o que vai ajudar muito na recomposição de habilidades dos alunos.
Mesmo assim, as perdas foram grandes e desiguais, como atestam as avaliações diagnósticas já aplicadas.
Assim, em 2022 teremos que tornar a equidade uma obsessão, criando um sistema em rede de remediação educacional enquanto avançamos na implementação da Base Nacional Comum Curricular, que, mesmo prevista na Constituição, o Brasil levou tanto tempo para elaborar e traduzir em currículos estaduais e municipais. Currículos nacionais e subnacionais são instrumentos fundamentais para a construção de equidade.
Ainda há muito o que fazer, e não é a melhor estratégia varrer os problemas para debaixo do tapete com o argumento de que não podemos estigmatizar a "geração da Covid" ao nos referirmos aos danos educacionais que sofreram. Precisamos, isso sim, colocar educação no topo da agenda e, com coragem, investir numa educação com muito mais qualidade para todos, não só para os que tiveram a sorte de nascer em famílias mais afluentes. E isso é muito urgente!
Fonte: Folha de S. Paulo
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